quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A vida que ninguém vê

Eliane Brum, hoje jornalista da Revista Época, publicou no final dos anos 90, no Jornal Zero Hora, uma série de perfis de pessoas que geralmente parecem invisíveis aos olhos da sociedade. Essas matérias foram reunidas posteriormente no livro A vida que ninguém vê, o qual o foi vencedor do Prêmio Jabuti, em 2007.

Eliane, assim como vários jornalistas que resolvem publicar livros, baseou seu texto no estilo literário, ou new journalism, como também é conhecida essa forma de se contar um fato verídico, muito semelhante às obras de Truman Capote e Gay Talese.

Como alguém num aeroporto pode reparar no carregador de malas que sempre sonhou em voar, ou na curiosa história do macaco que saiu da jaula para beber uma cerveja e aterrorizar os visitantes de zoológico? Fatos como esses geralmente não são publicados nos jornais e pessoas que passam despercebidas viraram os personagens principais da obra. O que mais chama a atenção é o fato de quase não haver diálogos no livro, o que leva a crer que a maior parte do texto foi produzida de forma empírica, bastando a autora observar a situação e transcrevê-la.

No decorrer da leitura dos perfis é possível imaginar como essas pessoas são na vida real e como deve ser a vida diária de cada uma delas. Como se não bastasse a forma com a qual Eliane Brum descreve os fatos e as personagens citadas, as fotos que abrem cada capítulo falam por si só.

Após o final da leitura, resta ao leitor uma dúvida: será que o carregador de malas conseguiu finalmente voar? O que teria acontecido ao macaco Beto, após bebericar na cantina do zoológico? E como estaria hoje o mendigo que nunca pedia nada?

Foto: divulgação

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Estúdios de tatuagens clandestinos oferecem riscos à saúde

Sindicato alerta que quem recorre a tatuadores ilegais está sujeito a contrair doenças como Hepatite C e AIDS

Jonas Barbetta – Taubaté
A quantidade de estúdios de tatuagens que funcionam de forma irregular em Taubaté tem preocupado os tatuadores que trabalham legalmente na cidade. A categoria alega prejuízos financeiros e alerta sobre os riscos de saúde que a população corre quando procura esses locais como forma de conseguir o serviço por um valor abaixo do preço de mercado.

Segundo esses profissionais, quem recorre aos estabelecimentos que não possuem registro junto à Vigilância Sanitária está sujeito a contrair doenças como hepatite C, Aids, rejeição da tinta que foi aplicada na pele, além de infecções causadas pela falta de esterilização dos materiais usados durante o processo de produção da tatuagem.

Para tentar impedir o aumento do número de estúdios ilegais, o Sindicato dos Estúdios de Tatuagem e Body Piercing do Brasil - Setap-BR - solicitou em 2001 ao Congresso Nacional um projeto de lei que possa regulamentar a profissão de tatuador no país.

O diretor e presidente do Setap-BR, Antônio Carlos Ferrari, informou que o pedido encaminhado aos parlamentares foi votado duas vezes, mas não obteve aprovação. Para Ferrari, o motivo está relacionado às falhas no sistema de saúde do país. “A área da saúde pública é a mais difícil de avançar. Nossos hospitais são as provas reais desse descaso social”.

Ferrari informa ainda que o Setap-BR não tem o poder de fiscalizar os estúdios ilegais, mas que alerta a Vigilância Sanitária sobre a ação dos tatuadores clandestinos. O diretor ressalta que o sindicato entrou com uma ação junto ao Ministério Público Federal sobre a negligência dos órgãos competentes que não fiscalizam esses estabelecimentos.

Em Taubaté, o tatuador Ricardo de Camargo Garcia acredita que a Vigilância Sanitária fiscaliza apenas os locais que já possuem alvará de funcionamento. “A vigilância fica muito mais forte na gente que trabalha direito e não nesse pessoal que age de qualquer jeito”.

Para Rubens Pellicitti, conhecido como Binho, que há 25 anos possui um estúdio legalizado no centro de Taubaté, a clandestinidade acaba desvalorizando a profissão. “Fora do país, o preço mínimo de uma tatuagem é US$ 150; aqui [no Brasil] cobramos R$ 100, a pessoa sai daqui e vai procurar um estúdio de fundo de quintal que cobra R$ 20, o que não paga nem o custo do material”.

Há cinco anos na profissão e com registro na Vigilância Sanitária de Taubaté, José Antônio da Silva avalia que, para a produção de tatuagens, não basta apenas possuir o material que é facilmente encontrado à venda na internet, mas sim ter noções de artes plásticas. “A pessoa tem que saber um pouco de arte. Ela tem que saber desenhar se não vai sair um trabalho mal feito. O tatuador que só copia [trabalhos de outros artistas] vai trazer problemas para as pessoas”, destacou.

Além da ação realizada por clandestinos, outra reclamação que parte dos tatuadores registrados é a aplicação de piercings em estabelecimentos, segundo eles, inapropriados para essa prática, como farmácias e óticas, que cobram em média 45% abaixo do que seria o custo em um estúdio legalizado.

A Vigilância Sanitária de Taubaté informou que desde 2006 é responsável por fiscalizar as condições do local onde será realizado o trabalho do tatuador. Se for flagrado de forma ilegal, o responsável pelo estabelecimento terá dez dias para se adequar e terá que pagar uma taxa que varia de R$ 150 a R$ 200. Em caso de reincidência, o estúdio poderá ser lacrado.

EXCEÇÕES - Sobre a prática de aplicação de piercings em estabelecimentos impróprios, o agente da Vigilância Sanitária de Taubaté, Walter Moya Rodrigues, informou que, por “tradição”, farmácias podem perfurar apenas o lóbulo da orelha para o uso de brincos, desde que um farmacêutico esteja presente no momento do procedimento.

Com relação às óticas, em Taubaté apenas uma loja está habilitada em realizar a aplicação. Segundo Rodrigues, o local foi avaliado e recebeu o alvará de funcionamento, pois as condições apresentadas atenderam a todos os critérios da Vigilância Sanitária. “Existe uma parte separada por vidro onde só fazem a aplicação de piercings, mas eles têm toda uma estrutura para esse procedimento”, afirmou.

ARREPENDIMENTO - Cerca de 30% das pessoas que vão aos estúdios legalizados pedem para que o trabalho que foi produzido em locais clandestinos seja reparado. A técnica conhecida como ‘cobertura’ produz um novo desenho sobre a tatuagem antiga, a qual é totalmente modificada ou recebe apenas alguns retoques.

Caso a pessoa se arrependa de ter feito o desenho no corpo, é possível retirá-lo completamente por meio de um sistema a laser que é aplicado sobre a pele. O dermatologista Rubens Garcia alerta que, além desse processo ter um valor elevado, o resultado final não deixa a parte do corpo onde foi tatuado como antes. “É um tratamento caro e que não garante que vai ficar uma coisa boa”, frisou Garcia. “A pessoa achar que vai ter a pele como era antes é ilusão”.

Foto: Jonas Barbetta

José Antônio da Silva (Toninho) durante sessão de tatuagem em seu estúdio; para ele, o tatuador precisa ter conhecimento em artes plásticas para exercer a profissão

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Igreja comemora o Dia do Padre

Comemoração pelo dia do patrono dos sacerdotes reúne padres da região em uma única missa

Jonas Barbetta – Taubaté
A Diocese de Taubaté lembrou hoje os 150 anos da morte de São João Maria Vianney, considerado pela Igreja Católica o patrono dos sacerdotes. A missa em memória do santo foi realizada às 10h no Santuário Santa Terezinha e fez parte das comemorações pelo Dia do Padre.

Cerca de 70 padres, diáconos e seminaristas que compõem a Diocese de Taubaté participaram da celebração que foi aberta ao público e foi presidida pelo bispo de Taubaté, Dom Carmo João Rhoden, pelo monsenhor José Eugênio e pelo arcebispo Dom Antônio Afonso de Miranda.

Dom Carmo lembrou a vida de São João Maria Vianney, o qual nasceu no século 18 na França e citou o santo como modelo de fé que os sacerdotes atuais devem seguir. ”Certamente ele [São João Maria Vianney] não apareceu como um iluminado no campo teológico e filosófico, mas é um homem que se sobre saiu no campo pastoral”, destacou. Segundo o bispo, a missa celebrada em homenagem ao santo simboliza a união dos padres que atuam nas 11 cidades da região que compõem a Diocese de Taubaté. “Representa antes de tudo a celebração da comunhão”, afirmou.

Para o monsenhor José Eugênio, pároco do Santuário Santa Terezinha, o santo apresenta uma semelhança com Jesus. “São João Maria Vianney soube personificar de uma forma maravilhosa a imagem de Jesus Bom Pastor”, disse.

Após a missa, os padres foram comemorar o dia em homenagem a eles em uma churrascaria em Taubaté e deverão retornar às atividades normais amanhã.

Foto: Jonas Barbetta

Padres da Diocese de Taubaté; uma imagem de São João Maria Vianney ficou exposta no altar durante a celebração pelo Dia do Padre





domingo, 26 de julho de 2009

Festa no Sul de Minas homenageia padroeira

Evento em Sapucaí- Mirim (MG), atrai pessoas do Sul de Minas e Vale do Paraíba para a festa da padroeira da cidade.

Karolina Alvarenga - Sapucaí- Mirim (MG)
Sapucaí- Mirim (MG), cidade de cinco mil habitantes, comemora todos os anos o dia de sua padroeira Sant'Ana. Neste ano o evento ocorre entre os dias 17 a 26 de julho e celebrantes de diferentes cidades do Sul de Minas e Vale Paraíba participam da novena trazendo também relíquias de Frei Galvão, da Paróquia da Catedral de Santo Antonio, de Guaratinguetá e a imagem de Nossa Senhora Aparecida, do Santuário Nacional.

O Padre Inácio Pires, que está há três anos na Paróquia de Sant'Ana diz que a data em que a festa começa é fixa e os padres que irão celebrar as missas e as atrações que terão na festa é decidido por ele, o festeiro responsável e a população. "É uma festa tradicional, com comidas típicas do Sul de Minas e que atrai toda a região, inclusive o Vale do Paraíba. Pode-se considerar uma festa interregional", completa.

O objetivo da comemoração este ano é para a reforma da fachada da igreja Matriz da cidade e do centro pastoral, tendo como tema deste ano Sant'Ana modelo de vida em Comunidade.

O festeiro, Carlos José da Silva, é um dos responsáveis pela organização do evento e conta que é a primeira vez que ele coordena a festa. "A festa veio trazer para a comunidade o verdadeiro espírito comunitário", destaca.

Para a professora, Silvia Maria Púppio Pereira, a parte mais importante é a religiosa, pois é um momento em que a população cresce espiritualmente e a comunidade se impõe para trabalhar em prol da igreja e da parte social. "Festa sem o povo, não acontece, todos nós temos que nos empenhar", conta. Silvia afirna ainda que a missa que foi realizada dia 20, pelo Padre Antonio Robson Gonçalves, da Paróquia de São Bento do Sapucaí, foi a que mais marcou dentre todas as missas realizadas durante a novena. "Mexeu comigo, sobre a importância da comunidade, porque eu participo da Pastorais Familiar e Litúrgica e fico desanimada, pois as pessoas negam certos pedidos que são feitos para melhorar a pastoral que lhe é responsável", diz.

Já a comerciária, Joyce Carla Ferreira, acredita que a festa foi muito movimentada. "É bom porque traz muitas pessoas diferentes e agitação para a cidade", diz.

A Prefeitura de Sapucaí- Mirim doa o espaço e a mão-de-obra para a construção das barracas que irão servir comidas típicas da festa, como: bolinho caipira, mini-pizzas, caldinho e salgados, além de bebidas como vinho quente e quentão.

Há também donos de barracas de outras cidades como Taubaté e São Bento do Sapucaí, que vendem doces, creps e churros. O evento tem ainda o apoio da Polícia Militar da cidade para reforçar a segurança do local.

Fotos: Jonas Barbetta

Vendedor de doces durante a festa externa; culinária mineira e do Vale do Paraíba levou milhares de pessoas à festa de Sant'Ana




Bênção de veículos durante o dia da festa; motoristas de Sapucaí-Mirim e cidades vizinhas foram pedir proteção divina aos seus automóveis